Vinil

Vinil Bob Dylan — Greatest Hits

Ótimo estado de conservação: capa, encarte e mídia bem preservados.

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Bob Dylan nem estava por perto quando o disco que se tornaria o mais vendido da carreira dele chegou às lojas. Lançado em 27 de março de 1967 pela Columbia Records, "Bob Dylan's Greatest Hits" saiu bem no meio do período em que o próprio artista sumiu do mapa, recuperando-se de um grave acidente de moto sofrido no verão anterior perto de casa, em Woodstock. A gravadora precisava de produto novo nas prateleiras. Dylan precisava de tempo para se recompor. Os dois interesses raramente combinam tão bem.

Enquanto rumores de todo tipo circulavam sobre o estado físico dele, Dylan gravava em segredo, ao lado do grupo que viraria conhecido como The Band, o material que só seria lançado oficialmente quase uma década depois como "The Basement Tapes". A Columbia, sem novidade nenhuma para vender, decidiu reunir dez faixas dos primeiros sete álbuns da carreira, criando uma ponte entre "Blonde on Blonde" e o disco seguinte, "John Wesley Harding".

A seleção incluiu exatamente os hits que ainda hoje definem a imagem pública do artista: "Blowin' in the Wind", "Like a Rolling Stone", "Mr. Tambourine Man" e "Just Like a Woman", entre outras. Um disco de compilação feito às pressas, sem envolvimento direto do compositor na escolha das faixas, acabou virando o retrato mais vendido de uma carreira inteira. A ironia é generosa demais para passar despercebida.

A capa nasceu de um acaso feliz. O fotógrafo Rowland Scherman fotografou Dylan em novembro de 1965, durante um show em Washington D.C., aproveitando um contraluz que revelava só a silhueta do artista. Bob Cato, responsável pelo design, escolheu justamente essa imagem por causa do perfil e do penteado inconfundíveis do cantor, características que dispensavam qualquer explicação sobre quem estava ali. A escolha rendeu o Grammy de Melhor Capa de Álbum, prova de que às vezes a sombra funciona melhor do que o rosto inteiro.

A edição original ainda trazia um pôster psicodélico ilustrado por Milton Glaser, item hoje tão cobiçado quanto o disco em si. O design partiu de um autorretrato de Marcel Duchamp, transformado por Glaser numa silhueta preta com cabelo colorido em espiral. Segundo registros da época, cerca de seis milhões de cópias desse pôster circularam mundo afora, aparecendo em lugares improváveis, incluindo relatos de exemplares encontrados em cabanas isoladas na floresta amazônica.

O disco alcançou a 10ª posição da parada americana e a 3ª no Reino Unido, números discretos para um álbum que, décadas depois, se tornaria o mais vendido de toda a discografia de Dylan nos Estados Unidos, com certificação quíntupla platina pela RIAA. Superou até discos de estúdio bem mais celebrados pela crítica, o tipo de resultado comercial que nenhum executivo de gravadora teria coragem de prever de antemão.

O contexto histórico ajuda a explicar o impacto. Os Estados Unidos atravessavam a escalada da Guerra do Vietnã e o auge do movimento contracultural, cenário em que canções de protesto como "Blowin' in the Wind" ganhavam camadas novas de significado a cada ano que passava. Um artista ausente, recluso, praticamente mudo para a imprensa, ainda assim conseguia dominar as paradas com material antigo. Estrela que some do mapa e continua vendendo mostra que fama, às vezes, funciona sozinha.

Histórias assim raramente cabem inteiras numa capa de disco. Elas moram dentro de um objeto físico, com fotografia de contraluz premiada, pôster de artista renomado dobrado dentro da capa, e faixas que sobreviveram décadas de reedição sem perder força. Ler sobre isso é bom. Segurar o vinil na mão, sabendo que aquele pedaço de papel colorido já esteve em lugares tão distantes quanto uma cabana na Amazônia, é outra experiência inteiramente diferente.

Esse vinil pode ser seu agora, junto com essa história capaz de fazer até quem despreza compilação repensar a categoria inteira. Coloque no prato e escute sabendo que cada faixa ali já valia sozinha o preço do disco completo.

PS: entender por que um artista ausente vira o autor do próprio disco mais vendido exige ler além do encarte. Para reconstruir esse período específico da carreira de Dylan, recorremos a: Clinton Heylin, Bob Dylan: Behind the Shades Revisited (St. Martin's Griffin, 2001), considerada uma das biografias mais completas e confiáveis já publicadas sobre o artista.

As faixas que compõem essa relíquia estão catalogadas abaixo, para quem gosta de saber exatamente o que está prestes a colecionar:

Faixas

  1. Rainy Day Women #12 & 35
  2. Blowin' in the Wind
  3. The Times They Are A-Changin'
  4. It Ain't Me, Babe
  5. Like a Rolling Stone
  6. Mr. Tambourine Man
  7. Subterranean Homesick Blues
  8. I Want You
  9. Positively 4th Street
  10. Just Like a Woman
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